Creuza Oliveira 4012: Uma companheira de diversas lutas

Creuza Maria Oliveira, 57 anos, nasceu em Salvador, no bairro de Cosme de Farias. Tem dois irmãos e é a filha do meio de Maria do Patrocínio Oliveira e Francisco Araújo, ambos trabalhadores em Santo Amaro, cidade do Recôncavo Baiano, a cerca de 80 km da capital. Solteira e sem filhos, Creuza dedicou a sua vida à luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas.

Perdeu o pai aos cinco anos de idade. Diante da extrema pobreza e dificuldade do padrasto em manter as três crianças, foi enviada para trabalhar, aos 10 anos de idade, como doméstica em casas de famílias ricas em Santo Amaro em troca de roupa, comida e moradia para diminuir as despesas. O irmão mais velho, por ser homem, não era aceito nas casas de família e a irmã caçula ainda era muito mais nova, por isso foi a escolhida.

O trabalho durante a infância foi marcado por agressões, violência física e verbal. Chegando a fugir de uma das casas a qual servia para sair dos abusos que sofria. Não teve oportunidade de estudar, tampouco o direito ao lazer que a infância demanda.

Dona Maria do Patrocínio morreu de câncer quando a filha do meio tinha apenas 12 anos. Dois mais tarde, Creuza Oliveira voltou à Salvador indicada para uma família que viera de São Paulo. Continuou na capital baiana trabalhando em diversas casas, sempre suportando condições abusivas e até mesmo enfrentando o assédio dos patrões.

Descobrindo que só a luta muda a vida

Desde 1974 as domésticas conquistaram o direito de ter a carteira profissional registrada e os salários serem garantidos em troca do trabalho profissional, Creuza Maria Oliveira só aos 21 anos, em 1978, recebeu o seu primeiro vencimento. O valor era muito baixo e sequer era suficiente para sua subsistência. Ainda não era possível ter a sua casa e seus bens e sendo assim não podia sair da dependência que mantinha dos patrões desde a morte de seus pais.

Foi através do radinho de pilha que costumava escutar enquanto cuidava dos afazeres, que Creuza Oliveira tomou conhecimento que haveria uma reunião de domésticas que buscavam lutar pelos seus direitos. Cansada que frequentar pastorais de trabalhadoras onde o discurso era sempre baseado em como servir e respeitar os patrões, ela resolveu arriscar. Queria saber mais sobre os direitos que tinha e lutar por eles.

Na época, aos 28 anos de idade, viu uma dezena de mulheres que falava sobre a mudança que iria ser feita na Constituição Brasileira três anos mais tarde, e queriam que seus direitos fossem contemplados nela. Discutiam sobre a necessidade de se unir, já que a categoria contava com quatro milhões de profissionais que costumavam não receber salário e ter folga apenas se o patrão quisesse. Tendo passado por toda sorte de privação e dificuldade na vida como trabalhadora doméstica, Creuza entendeu que precisava participar daquele grupo, para que outras crianças e adolescentes não necessitassem partilhar da mesma sorte.

Um ano mais tarde, a líder do grupo saiu aspirando outras possibilidades para o seu futuro profissional. Embora fosse tímida e tivesse uma resistência inicial em aceitar a indicação Creuza Oliveira assumiu a função porque maior era o medo daquele grupo se desfazer. Desafio assumido, surge então sua história de liderança e conquistas.

Participou do Congresso Nacional de Trabalhadoras Domésticas do Brasil em 1985. Retornando para Salvador fundou a Associação Profissional das Trabalhadoras Domésticas da Bahia. Sem sede ou qualquer estrutura, recebia ligações e cartas na casa do patrão, onde também morava, mesmo sendo reprimida e recebendo reclamações. O homem era síndico com prédio e proibiu o recebimento de correspondências em nome da Associação. Porém, o porteiro, amigo de Creuza Oliveira, as entregava em sigilo. Vencendo todas as barreiras e dificuldades, continuou frequentando atividades que tratavam dos direitos das trabalhadoras domésticas em todo o Brasil.

Creuza Oliveira começou a frequentar os encontros do Movimento Negro Unificado (MNU), onde conheceu Luiza Bairros e Valdeci Nascimento, mulheres que se tornaram importantes no processo de aceitação da própria estética e autoconhecimento. A vergonha da própria imagem deu lugar ao orgulho. Começou a gostar do próprio cabelo, dos traços afrodescendentes que sempre carregara. Ao olhar-se no espelho tornou-se capaz de ver a beleza que tinha e tem.

Tal amadurecimento, porém, foi além da estética. Creuza Oliveira começou a compreender os processos do racismo. Entendeu que muito do seu sofrimento e da sua família, que toda a sua história de vida, estava marcada pelo preconceito que sofria devido ao fato de ser negra. A morte da mãe sem os devidos cuidados, os abusos, maus tratos, a violência física e verbal, as ofensas pela sua aparência, tudo motivado pelo ódio racial. Assim, se dividiu entre a luta pelas domésticas e o movimento negro, além do movimento de mulheres, que veio a conhecer mais tarde.

Sindicato é pra lutar!

Para mostrar que falta muito para rompermos o que ainda liga a sociedade brasileira ao racismo e a discriminação, em especial da mulher negra, o Sindoméstico-BA nasce no dia 13 de maio de 1990. Creuza Oliveira, ainda dividindo o seu tempo entre a função de doméstica e o sindicalismo, costumava negociar folgas e férias para honrar os compromissos e viajar pelo Brasil, a fim de garantir o avanço da luta e garantir os direitos da categoria.

Durante os 11 anos que esteve à frente do Sindoméstico-BA, lutou pela valorização dos trabalhadores domésticos, buscando garantir os direitos trabalhistas que outras categorias profissionais já gozavam; como salário mínimo fixado em lei, 13º salário, repouso semanal, férias remuneradas anuais de 30 dias, estabilidade no emprego em razão de gravidez, licença maternidade, aviso prévio, aposentadoria e integração à Previdência Social.

Uma das grandes conquistas do trabalho sindical na Bahia foi a aquisição do condomínio 27 de Abril. O Centro Habitacional conta com 80 unidades – oito edifícios de cinco andares – onde moram apenas trabalhadoras domésticas que costumavam viver na casa dos patrões, mas hoje têm seu próprio imóvel, pagando uma parcela simbólica por mês.

O reconhecimento dos frutos colhidos nesta luta, a fez assumir a presidência da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos (FENATRAD), em 2001. Nesta posição, viajou pelo mundo, visitando diversos países realizando palestras e participando de encontros sobre a importância dos direitos dos trabalhadores domésticos e conhecendo a condições de trabalho de outros povos.

Toda a sua bagagem a levou a representar o Brasil na Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, Suíça, liderando a delegação das trabalhadoras domésticas. Lá participou da elaboração do questionário que resultou na Convenção 189 e na recomendação 202 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), documentos que originaram o Projeto de Emenda Constitucional 72, de 2013, que ficou conhecido em todo o país como “PEC das Domésticas”.

Luta política com raça e classe

Em 1995, Creuza Oliveira se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT), e um ano mais tarde seu nome foi cogitado pela primeira vez para disputar o pleito. Mais uma vez resiste e aceita a disputa apenas quando vê o benefício coletivo que teria sua presença no Poder Legislativo. Disputou seis pleitos eleitorais. Embora tivesse uma votação expressiva, não foi eleito nessas oportunidades.

Por defender um projeto político coletivo, Creuza Oliveira e demais apoiadoras e apoiadores sempre encaram as tentativas como vitoriosas porque sem grandes investimentos financeiros ou mesmo sustentação efetiva do partido, sempre assegurou votação expressiva através de parcerias e reconhecimento de pessoas que acreditam na sua história de vida, luta, capacidade e idoneidade.

Creuza Oliveira fez opção pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) para que se corrija os rumos do Brasil e da Bahia. Mais uma vez aceitou candidatar-se, agora a DEPUTADA FEDERAL, para que a Bahia tenha sua própria cara na Câmara dos Deputados. A mudança de legenda é marcada pela crença na mudança, na possibilidade do novo, na transformação; numa chapa majoritariamente feminina, que apresenta mulheres que têm histórias de lutas em defesa da idoneidade e o ideal comum de um Brasil diferente, como Lídice da Mata, candidata a GOVERNADORA da Bahia e Eliana Calmon, candidata a SENADORA depois de como ministra do Supremo Tribunal Federal ter lutado para que o Judiciário seja transparente e respeitado.

Prêmios que destacam uma vida de lutas!

  • A história de luta e superação de Creuza Oliveira sempre foi alvo de reconhecimento, não por acaso foi premiada nacional e internacionalmente diversas vezes. Dentre tantos se destacam:
  • Prêmio Revista Cláudia “Mulheres que Fazem a Diferença, na categoria Trabalho Social, em 2003.
  • Prêmio de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal, em 2003 pela Luta Contra o Trabalho Infantil e em 2011 pela Luta Pela Igualdade Racial.
  • Indicada para o Prêmio 1000 Mulheres Para o Nobel da Paz, em 2005. Sendo uma das quatro indicadas pela ONU na Bahia. Apenas 52 indicações foram feitas no Brasil.
  • Troféu Raça Negra da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, em 2013
  • Troféu Mário Gusmão oferecido pela Faculdade Federal do Recôncavo da Bahia, em 2013
  • Homenagem “Mulheres Guerreiras”, oferecida pela Previdência Social

É preciso coragem para mudar! Venha para a campanha de Creuza Oliveira 4012, defina seu voto e ganhe mais pessoas para que assim tenhamos em Brasília uma companheira provada na luta, com uma história inatacável de dignidade e honra!

 

Vote Creuza Maria Oliveira 4012 – A VOZ DAS DOMÉSTICAS NO PARLAMENTO!

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